O anúncio da nova gravidez da apresentadora e jornalista Tati Machado emocionou seguidores e reacendeu o debate sobre uma experiência vivida por milhares de famílias: a gestação após a perda de um filho.
Em maio deste ano, completou-se um ano da morte de Rael, bebê esperado por Tati e seu marido, Bruno Monteiro. Desde então, a apresentadora tem compartilhado publicamente aspectos de sua vivência de luto e a importância de continuar reconhecendo sua maternidade mesmo após a perda.
Agora, com a notícia de uma nova gestação, especialistas chamam atenção para os desafios emocionais que costumam acompanhar esse momento.
O bebê que nasce após uma perda gestacional ou neonatal é conhecido popularmente como bebê arco-íris. O termo faz referência ao arco-íris que surge após uma tempestade, mas não significa que a dor anterior tenha desaparecido.
Segundo a psicóloga e professora Natália Aguilar, especialista em luto e perdas, existe uma ideia equivocada de que uma nova gravidez seria capaz de apagar o sofrimento causado pela morte de um filho.
“A chegada de um bebê arco-íris pode trazer esperança, mas esperança não significa ausência de dor. Em muitos casos, ela caminha ao lado da saudade, da memória e do amor que continuam existindo pelo filho que morreu”, explica.
De acordo com a especialista, a gestação após a perda costuma ser marcada por sentimentos ambivalentes. A felicidade pela nova gravidez pode coexistir com medo, ansiedade e insegurança.
“Para muitas famílias, uma nova gravidez representa a retomada de um projeto de vida interrompido pela perda. Ao mesmo tempo, pode despertar o receio constante de viver novamente uma experiência traumática”, afirma.
Esse contexto faz com que muitas mulheres vivam a gestação de maneira diferente daquela imaginada socialmente. Algumas evitam fazer planos, comprar enxoval ou compartilhar a notícia nos primeiros meses. Outras relatam preocupação intensa antes de consultas e exames.
Natália destaca que esses comportamentos não devem ser interpretados como falta de vínculo com o novo bebê.
“É comum que mães e pais tenham mais dificuldade para se conectar emocionalmente durante uma gestação pós-perda. Trata-se, muitas vezes, de uma tentativa de proteção diante de uma experiência anterior extremamente dolorosa.”
Outro aspecto importante envolve a manutenção do vínculo com o bebê que morreu. Para a especialista, a chegada de uma nova criança não substitui a anterior.
“O amor não se divide. O vínculo com o bebê que morreu continua existindo, enquanto um novo vínculo começa a ser construído. São relações diferentes, histórias diferentes e filhos diferentes”, ressalta.
A psicóloga também alerta para comentários frequentemente dirigidos às famílias nessa situação, como “agora você vai esquecer o que aconteceu” ou “esse bebê veio para compensar a perda”. Embora geralmente bem-intencionadas, essas falas podem gerar sofrimento adicional.
“O luto não desaparece porque uma nova gravidez começou. A família continua carregando a história daquele filho que morreu, ao mesmo tempo em que constrói a história desse novo bebê.”
Para especialistas, a repercussão da história de Tati Machado contribui para ampliar a visibilidade do luto perinatal e da gestação após a perda, temas ainda cercados por silêncios e incompreensões.
Ao compartilhar sua trajetória, a apresentadora ajuda a mostrar que é possível viver a esperança de uma nova gravidez sem deixar de reconhecer a existência, a importância e a memória do filho que partiu.
Créditos: Divulgação/Imprensa








