Se você saiu de casa essa semana em São Paulo e sentiu que o asfalto estava derretendo, não é impressão. A capital paulista vive mais um período de veranico em 2026, com sol rachando, calor acima da média e aquela sensação de que a chuva não vem nunca.
Mas afinal, por que está tão quente? A resposta está lá em cima, no céu. E tem nome: Alta Subtropical do Atlântico Sul.
O “bloqueio” que segura o calor
Pensa na Alta do Atlântico como uma bolha gigante de ar quente e seco que fica parada sobre o Sudeste. É ela que impede a formação de nuvens e barra a entrada das frentes frias. Com isso, os dias ficam de céu limpo, o sol bate direto e a temperatura sobe.
O INMET chegou a emitir alerta vermelho para todo o estado de São Paulo por causa disso. Foram dias com até 5°C acima da média, por mais de 5 dias seguidos. Em dezembro, a capital registrou o dia mais quente da história para o mês.
E não é só em SP. A previsão para o verão 25/26 aponta que praticamente todo o país vai sentir um pouco mais de calor que o normal, com vários períodos de veranico. No Sudeste, a expectativa é de chuva abaixo da média, o que só piora a situação.
Outro ponto é que estamos num momento de neutralidade climática. Ou seja, sem a influência forte de El Niño ou La Niña. Isso deixa o tempo mais instável e dependente desses sistemas regionais. E segundo cientistas, as mudanças climáticas estão deixando esses episódios de calor cada vez mais intensos e frequentes.
O problema não é só o suor: ar seco afeta saúde e reservatórios
Calor a gente até aguenta. O problema é quando ele vem com ar seco junto. E é isso que está acontecendo.
Sem chuva por vários dias, a umidade do ar despenca. E aí o corpo sente. O Ministério da Saúde alerta que o risco de desidratação e insolação aumenta muito nesse período. Insolação é quando o corpo passa dos 40°C e começa a perder muita água e sais minerais de uma vez.
Os grupos mais afetados são idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas. Só pra ter noção da gravidade: entre 2000 e 2018, o Brasil registrou 48 mil mortes associadas a ondas de calor. Por isso os médicos chamam esse período de “emergência silenciosa”.
O ar também fica mais pesado. Sem chuva pra “lavar” a atmosfera, a poluição e as partículas ficam concentradas. Quem tem asma, rinite e problema respiratório sofre ainda mais.
E agora? Como enfrentar essa onda de calorão
E a falta de água bate nos reservatórios. O Sistema Cantareira, que abastece a região metropolitana, chegou a operar abaixo de 20% entre dezembro e janeiro. Pouca chuva = menos água nas torneiras lá na frente.
Enquanto a frente fria não consegue passar por esse “bloqueio” da alta pressão, o jeito é se cuidar. O Ministério da Saúde reforça 7 dicas básicas:
- Beba água o dia todo. Não espere a sede. Vale água de coco e suco natural também.
- Fuja do sol entre 10h e 16h. É nesse horário que ele está mais forte.
- Roupa leve e clara. E nada de roupa apertada.
- Chapéu, óculos e protetor solar FPS 30+. Pra evitar queimadura e câncer de pele.
- Cuidado com o álcool. Em excesso ele desidrata ainda mais.
Quando isso vai acabar?
A tendência é que esse ciclo de calor continue por mais alguns dias. Só uma frente fria forte consegue “empurrar” essa massa de ar quente pra longe.
Até lá, é paciência, água gelada e torcer pra chover. Porque veranico em SP já virou rotina. E entender o motivo ajuda a gente a se proteger melhor.
Por Rosália Oliveira
Fontes de pesquisa: INMET, Ministério da Saúde, Instituto de Pesquisas Ambientais – IPA









