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Apenas 2 em cada 10 profissionais se sentem preparados para usar IA no mercado de trabalho

Descompasso entre avanço da tecnologia e preparo das equipes expõe novo desafio das empresas

A adoção da inteligência artificial no ambiente corporativo avança em ritmo acelerado, mas o preparo dos profissionais ainda não acompanha essa transformação. “Existe uma inversão acontecendo nas empresas: a tecnologia já está pronta para operar, mas as pessoas e os processos ainda não estão preparados para trabalhar com ela”, afirma Rodrigo Spínola, fundador da Dalton Lab especialista em desenvolvimento e aplicação de IA.

Um levantamento recente da Serasa Experian mostra que apenas 19,3% dos brasileiros se sentem preparados para utilizar IA no trabalho, enquanto 60,5% afirmam estar apenas parcialmente prontos para lidar com a tecnologia no dia a dia. “O maior erro hoje é tratar a IA como uma ferramenta isolada, quando na prática ela exige uma reorganização completa da operação”, pondera Spínola.

O dado revela um cenário de transição. Enquanto empresas aceleram a adoção da inteligência artificial, grande parte dos profissionais ainda tenta entender como se adaptar a essa nova realidade.

O levantamento também aponta um recorte geracional importante. Profissionais mais jovens, especialmente da Geração Z, se sentem mais preparados para utilizar inteligência artificial no trabalho. Já os Millennials aparecem em posição intermediária. Entre profissionais da Geração X e Baby Boomers, o nível de preparo é menor, indicando maior dificuldade de adaptação à tecnologia.

“Não é uma questão de substituir pessoas. É uma questão de substituir tarefas. E isso muda completamente a lógica de como as empresas precisam se organizar”, explica o especialista.

Apesar do baixo nível de preparo, a aplicação prática da inteligência artificial já avança dentro das empresas. Uma nova geração de sistemas, os chamados agentes de IA, começa a executar tarefas completas dentro das operações, indo além de chats e automações simples.

“Antes, a IA ajudava. Agora, ela executa. Isso significa que processos inteiros passam a ser operados por sistemas, e não apenas apoiados por eles”, afirma o especialista.

Na prática, isso significa que atividades repetitivas e operacionais passam a ser realizadas por sistemas inteligentes, enquanto profissionais assumem funções mais estratégicas. “Quem não reorganizar os processos vai ter tecnologia, mas não vai ter ganho real de produtividade”, completa.

O problema não é a tecnologia. É a forma como ela está sendo aplicada

O desafio, segundo o especialista, não está na tecnologia em si, mas na forma como ela vem sendo implementada.

O levantamento da Serasa Experian reforça esse cenário ao mostrar que a maioria dos profissionais ainda está em fase de adaptação, e não de domínio da ferramenta.

“Hoje existe muito mais adoção superficial do que transformação real. As empresas testam IA, mas não mudam a forma como operam. E sem essa mudança, o impacto é limitado”, afirma Spínola.

Em alguns casos, o impacto da inteligência artificial já começa a influenciar decisões estratégicas e financeiras.

Uma empresa do setor de atacado, ligada ao grupo Atacamix/MundialMix, passou a utilizar a tecnologia na operação, identificou ganhos diretos de produtividade e decidiu entrar como sócia da Dalton Lab, com um aporte superior a R$ 1,5 milhão.

“Quando a IA começa a gerar resultado direto na operação, ela deixa de ser vista como custo e passa a ser tratada como investimento estratégico”, explica.

O futuro do trabalho será de adaptação e não de substituição

Apesar do receio de substituição, especialistas apontam que o cenário mais provável é de transformação do trabalho. “A IA não elimina profissionais. Ela muda o papel deles dentro das empresas. O profissional deixa de executar tarefa e passa a gerenciar processo”, afirma Spínola.

A expectativa é que, nos próximos anos, a inteligência artificial deixe de ser uma camada adicional e passe a fazer parte da própria estrutura das empresas. “Quem entender esse movimento mais rápido vai sair na frente, não por usar IA, mas por saber trabalhar com ela”, conclui.

Créditos: Divulgação / Imprensa

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